Photo: Robert Frank
from ” The Americans “

de
A Obra Ao Negro de Marguerite Yourcenar:
Para fazer render o seu pecúlio, que se lhe escapava por entre os dedos mais depressa do que imaginara, comia juntamente com os carreteiros o toucinho rançoso e o grão dos albergues mais miseráveis e dormia à noite sobre a palha … . De vez em quando, nalguma quinta isolada, uma viúva caridosa oferecia-lhe do seu pão e do seu leito. Não esquecera os belos escritos: trazia os bolsos cheios de pequenos volumes forrados de pele de cabrito, sacados de antemão, à conta da futura herança da biblioteca de seu tio, o cónego Bartolomeu Campanus, que coleccionava livros. Ao meio-dia, estendido na relva, ria às gargalhadas com alguma facécia latina de Marcial, ou então, mais sonhador, cuspindo melancolicamente para uma poça estagnada, imaginava alguma discreta e recatada dama, a quem dedicar em sonetos, à maneira de Petrarca, toda a sua alma e a sua vida.
from
The House of Dust by Conrad Aiken:
That horrible whistle of wind, and felt his breath Sucked out of him, and saw the tower flash by And the small tree swell beneath him . . . He patted his boy on the head, and kissed his wife, Looked quickly around the room, to remember it,– And so went out . . . For once, he forgot his pail.
Something had changed–but it was not the street– The street was just the same–it was himself. Puddles flashed in the sun. In the pawn-shop door The same old black cat winked green amber eyes; The butcher stood by his window tying his apron;
from
Songs of Travel by Robert Louis Stevenson
Towered to contemporary sight – Still in fraternal faith and love, Remained below to reach above, Gave and obeyed the apt command, Pilot and vassal of the land.
IV
My Tembinok’ from men like these Inherited his palaces, His right to rule, his powers of mind, His cocoa-islands sea-enshrined. Stern bearer of the sword and whip …
Nós deveríamos ser a própria mudança que desejamos ver no mundo. Não vale a pena exigir dos outros aquilo que nós próprios ainda não tivemos coragem de mudar.
Gandhi
De
A Obra Ao Negro de Marguerite Yourcenar
Messer Alberico de’Numi não tardou a deixar-se prender por essa menina de seio pequenino e rosto afilado, vestida de rígidos veludos lavrados que pareciam mantê-la de pé, e enfeitada, nos dias de festa, com jóias que fariam inveja a uma imperatriz. Nas pálpebras nacaradas, quase róseas, engastavam-se uns pálidos olhos cinzentos; a boca, um pouco túmida, parecia prestes a exalar a toda a hora um suspiro ou a primeira palavra de um canto ou de uma oração. E talvez não se desejasse desnudá-la por ser difícil imaginá-la nua.
Numa noite de neve, que mais fazia sonhar com leitos aquecidos em quartos bem fechados, uma criada subornada introduziu Messer Alberico na estufa onde Hilzonda esfregava com centeio a longa e crespa cabeleira, que a cobria toda como se fosse um manto. Escondeu o rosto a menina, mas entregou sem luta aos olhos, aos lábios, às mãos do amante, o corpo alvo e limpo como uma amêndoa descascada. O jovem florentino bebeu, nessa noite, na fonte selada, aprisionou os dois cabritinhos gémeos, ensinou àquela boca os jogos e as doçuras do amor. Ao romper da alva, uma Hilzonda enfim conquistada entregou-se inteiramente, e, de manhã, raspando com a ponta da unha o vidro que o gelo embranquecera, nele gravou, com um anel de diamantes, as suas iniciais entrelaçadas com as do amante, deixando assim impressa a sua felicidade nessa substância delgada e transparente, decerto frágil, mas não muito mais do que a carne e o coração.
Non hai veramente capito qualcosa fino a quando non sei in grado di spiegarlo a tua nonna.
Albert Einstein